"Vivências". A falta de palavras serão compensadas pelas imagens. Assim é…espero

A banca

Trabalhei 35 anos numa grande instituição financeira.
Muitas vezes pergunto a mim próprio, que obra deixei para o futuro que mostre que passei por aqui?
Certamente a única coisa que poderá provar esta passagem é um processo judicial (o único) que enfrentei profissionalmente e que me assombrará psicologicamente para sempre.
Estas instituições salvaguardam integralmente o dinheiro dos seus clientes. Eu garanto totalmente.
Num belo dia de trabalho apareceu-me no balcão uma cliente que vinha levantar dinheiro de uma conta sua. Apresentou-me um talão de um levantamento anterior, para saber o número.
Como não tinha cheques, assinou um talão avulso de levantamento.
Também não tinha documentos de identificação, pelo que seguindo o que era habitual fazer-se naquele balcão conferi a assinatura pela respectiva ficha de assinaturas.
Tudo bem, era semelhante.
O levantamento foi efectuado na caixa.
Dois dias depois a mesma cliente apareceu-me, desta vez no posto de depósitos a prazo para sacar uma verba razoável de uma conta a prazo. Apresentou-me um talão de um levantamento anterior, feito por um outro colega, para saber de que conta seria.
Quando chegou a altura de apresentar a identificação, mais uma vez não tinha. Fiz novamente o procedimento anteriormente referido.
O pagamento foi efectuado na caixa.
Uns dias depois a cliente apareceu na mesma situação, sem documentos identificativos.
Como na altura o colega que por acaso tinha feito a última actualização da ficha de assinaturas ia a passar, pedi-lhe para identificar a cliente.
Resultado, não era a cliente titular da conta mas a sua filha. Estava a proceder conforme a mãe lhe tinha dito. (garantiu)
Pedi-lhe que a mãe emigrante em França, escrevesse uma carta a dar autorização para a filha proceder aos levantamentos referidos.
Uns dias passaram quando o gerente recebe um telefonema de França do pai da “fulana” para bloquear as contas. A filha que andava nas drogas e na prostituição tinha-lhe assaltado a casa levado papeis do banco e temia que ela movimentasse contas indevidamente.
Isto deu origem a processo judicial pois o banco tinha tudo para processar esta “tipa”.
No julgamento a referida, confirmou todos os movimentos feitos comigo. Não se lembrava dos outros.
Como não tinha bens, a pena (ela já se encontrava detida) foi agravada, apanhou mais uns anos.
O advogado do banco estava na sala e defendia a instituição.
O que fica para memória, o banco ganhou o caso.
O pai desta “senhora” recebeu o dinheiro que eu tive que repor (assim me obrigou o contencioso interno) e livrei-me de um processo disciplinar, só porque havia mais dois colegas envolvidos, mais antigos e que procederam como era habitual naquele balcão, naquela situação. (Eu aprendi com eles)
As instituições garantem sempre o dinheiro dos clientes, desde que possam culpar (colaboradores) funcionários de irregularidades.
No caso de grandes golpadas, como está na praça diariamente, os grandes gestores são promovidos ou transferidos com grandes verbas de indemnização, os clientes é pagam.
Infelizmente tudo isto só vem aumentar a minha mágoa. Trinta e cinco anos para esquecer.
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