"Vivências". A falta de palavras serão compensadas pelas imagens. Assim é…espero

Destino

Em 1967 estava no 2º ano da Preparatória, já o meu irmão mais velho trabalhava no BPA. Fui chamado a essa instituição para fazer testes para admissão. Éramos três para uma vaga, entrei eu logo de seguida, estávamos em 26Jun1967, fazia eu 14 anos no mês seguinte. O meu pai achava que era por aí o futuro.

Acabava aqui a infância. Chegava ao mundo do trabalho.

A minha vocação nessa altura, era o direito ou a marinha. Tive que virar-me para o curso comercial nocturno. Trabalhar com 14 anos e estudar à noite foi violento.
O campismo selvagem era uma das actividades que eu adorava. Por isso numas férias, com a companhia de outro colega meu amigo, decidimos de tenda às costas vir para o Minho. Entramos no comboio com bilhete para Monção. Quando passamos Viana do Castelo, aquela paisagem junto ao rio deslumbrou-nos. Ao fim de alguns anos de cidade aquilo era a miragem do paraíso. Decidimos sair na primeira estação onde o comboio parasse. Parou na Breia e saímos em direcção ao rio, era perto já que se avistava do apeadeiro. Instalamos a canadiana e fomos procurar comida. Depois de andarmos um pouco encontramos um tipo café chamado “Pinoca”. Estavam uns senhores numa mesa a beber uns copos e jogar cartas, como é típico nestes lugares ainda hoje, todos se cumprimentam. Vimos um presunto e uns salpicões e abastecemos por aí. Entretanto palavra puxa palavra, já estávamos a beber uma malga do verde. Depois de revelar a nossa intenção de ficar por ali uns dias, o dono ofereceu-nos um garrafão de vinho, com a promessa de lhe devolvermos a embalagem. Estivemos os quinze dias disponíveis de férias naquele mesmo lugar  a”Lenta”.(Hoje existe perto o Inatel) Durante as noites quentes, muitos banhos eram tomados conforme viemos ao mundo. Liberdade total.
Aproximava-se a época da tropa e como não tinha o curso terminado decidi deixar a “Oliveira Martins” e passar para aluno externo. Inscrevi-me numas salas de estudo particular o que me levou também a conhecer outros novos amigos.
Entre eles o Tó. Extra trabalho, passou a ser um dos meus amigos preferido, tínhamos gostos semelhantes e passatempos comuns.
Numa viagem de finalistas ao Gerês, organizada pelo externato onde estudávamos, vim a conhecer uma das irmãs do Tó, que por acaso também já tinha visto no externato, mas só de passagem. Chamava-se Maria Fernanda, nos círculos mais próximos a Ná.
Quis o destino, que após dois anos de felicidade,  juntassemos os  trapinhos.
Só depois é que vim a saber que aquele senhor que um dia me deu um garrafão de vinho numas férias divinais na Breia em Vila Nova de Cerveira, era afinal o  celebre artezão e curador especialista em presuntosTio Lourenço irmão do meu sogro, cuja terra Natal é mesmo esta, onde agora vivemos.
Mais uma vez o destino fez das suas, existe mesmo…
Dedico estas narrativas como tributo, aos meus avós Rosa e Lobo e ao meu filho Pedro que não teve a sorte de viver a infância, tal como eu a vivi, na província. Onde tudo é diferente.
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11 responses

  1. Amigo José,O destino é impossível de desvendar, umas vezes dá dor outras dá prazer. Uma vez feriu o cão amigo, mas da outra deu-lhe a cara-metade com quem partilha a vida, com felicidad.Felicito-o por estas descrições que lhe devem ter dado bem-estar ao reviver momentos agradáveis da meninice e juventude.Um abraçoJoão

    27/12/2009 às 09:47

  2. Viva amigo João,Foi a primeira vez que fiz um regresso ao passado, assim tão extenso. Realmente a vida é isso mesmo, momentos bons e outros menos bons. No entanto no meu caso só me posso dar por feliz,tudo fez parte da preparação para o futuro. Como diz a canção, "valeu a pena ter passado o que passsei…"Um abraço.

    28/12/2009 às 16:46

  3. Realmente o mundo é uma aldeia. E espero bem que tenhas devolvido o vasilhame! ;)Abraço! Feliz 2010!

    29/12/2009 às 12:15

  4. Meu caro Perfumado,Claro que devolvi o vasilhame. O conteúdo era "de puta madre", como por cá se diz.Abração e que 2010, seja aquele tal ano.

    31/12/2009 às 01:25

  5. Caro J.Ferreira,Só hoje me apercebi que tem um blogue só seu, mas cmo mais vale tarde que nunca… Cá estou eu!Feliz Ano Novo para si e todos os seus com muita saúde, paz e amor.Beijinhos,Ana Martins

    31/12/2009 às 01:52

  6. Olá pai!Hoje também cheguei aqui.Sei que os mesmos textos estão no Sempre Jovens, mas é bom ver como sempre te dedicaste aos Blogues…menos que a mãe, mas vais escrevendo coisas muito interessantes.Parabéns e continua.AbraçãoPedro

    02/01/2010 às 22:36

  7. Meu Bom Amigo José,Tal como disse nos Sempre Jóvenso Destino é algo que nos marca para sempre quer queiramos quer não. O seu é prova disso mesmo e que Destino mais afortunado!!!Reviver esse seu Passado deve-lhe ser muito grato pelas grandes alegrias e alguns sacrificios por que passou!Os meus parabéns pelo seu "abrir-se" a todos nós transmitindo-nos essas suas memórias.Quem assim procede é, por isso mesmo, merecedor de Felicidade e o seu "Clã Familiar" é prova disso!Um abraço amigo extensivo a todos os três.

    08/01/2010 às 03:59

  8. Olá JoséHoje descobri o seu blog e logo com esta crónica da sua vida. Afinal o destino está marcado de tal forma que não escapamos…Foi um bom destino, o que lhe foi destinado, pelo que já conheço da Ná.Espero (como diz a canção do nosso tempo) "que seja assim por toda a vida…"Beijinhos Lourdes

    14/02/2010 às 22:39

  9. Viva,Realmente cada vez mais, acredito que o nosso destino está marcado.Saibámos vivê-lo. Se o tentarmos alterar, ficará sempre a dúvida… e se tivesse feito da outra maneira? Grato pelos comentários,amiga Ana Martins amigo Luís e amiga Lourdes.Beijão especial ao Pedro.

    19/02/2010 às 16:05

  10. luis pinto

    Caro amigo Ferreira,
    Quis o destino, através, da Maria Jose Areal, minha “professora” na Univ. Senior de Caminha, que o voltasse a rever passados tantos anos. Não foi fácil reconhece-lo, mas as fotos do Leonel Manso, ajudaram. Meu Deus, quantos colegas e amigos do suadoso BPA, revi nessas fotos:
    O Jorge Pinheiro, o Correia, O Leonel e outros de quem recordo o rosto, mas, infelizmente, não o nome. Que saudades eu tenho da nossa adolescencia passada no BPA. Tambem eu entrei em 65, mas com 11 anos.
    Certamente já não se recorda de mim. Mas trabalhei com o Jorge Pinheiro no Dep. Pessoal, pouco depois do 25 de Abril, e durante 5 anos.
    Estou, normalmente, em Caminha, semana sim, semana não. Um dia destes espero encontra-lo para lhe dar um abraço.
    Luis Pinto

    31/05/2011 às 16:26

    • Meu caro Luís Pinto,

      Será um prazer rever-te. Tenho a certeza que nos conhecemos, eu só entrei em 67, mas nesses tempos todos nos conhecíamos. O destino tem destas coisas. Meu caro, quando for oportuno, basta ligar para o tlf.251796916 ou 932335786 por certo vamos comemorar. Esse velho pessoal, deve estar a marcar uma deslocação cá acima. É normal ser fins de Junho ou início de Julho. Carlos Leitão, Jorge Pinheiro, Correia, Lacerda, Mirandas são dois, Esmeralda, Jorge Lopes, Carlos Alberto, Pinto Monteiro a Giselda zangou-se, estes são alguns dos que costumam vir. Mais uma vez o elo foi a Maria José Areal, é uma grande senhora e amiga. Vamo-nos vendo entretanto pelo facebook. Abraço, JF

      31/05/2011 às 17:58

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