"Vivências". A falta de palavras serão compensadas pelas imagens. Assim é…espero

Estou a ser roubado

Digo e sublinho o roubado. Juridicamente  o furto é diferente pois não envolve violência. Não é este o caso.

Os bancários e os funcionários das seguradoras eram tidos como as profissões de élite. Isto graças às lutas travadas pelos sindicatos representativos, antes do 25 de Abril. Sempre fiz as greves decretadas, antes e depois da revolução. Pensava eu,  estar a defender os direitos da classe.

Estou reformado há onze anos. Quando assinei o convite para a reforma, passei a receber por uma tabela tida como dos reformados. As remunerações são mais baixas do que as do activo. Isto porque a taxa que iria pagar ao estado era somente de 5%, assim o recebimento líquido era praticamente 90% do que recebia no activo, onde pagava os 30%.

Os governos do Sr. Sócrates, democraticamente, acharam que estes reformados deveriam pagar o que pagam os trabalhadores do activo, embora com uma tabela de remuneração diferente, menor.

Resultado, embora não tenha aumentos na pensão, o agravamento anual no imposto faz com que cada ano que passa, desconte mais para as finanças. (Já vou nos 12%, em vez dos 5% negociados).

Isto fará com que em breve, um terço da minha pensão mensal  seja para impostos.

Roubaram-me agora mais 50% do subsídio de Natal. Para o orçamento de 2012, roubar-me-ão os dois subsídios. (Está em discussão e duvido que não seja aprovado).

Embora não receba esse dinheiro ainda pago IRS sobre ele. Dupla tributação.

O fundo de pensões, para o qual descontei durante 35 anos, também irá parar à Segurança Social. Isto porque o governo necessita de dinheiro a tudo o custo, não interessam os buracos dos fundos de alguns dos bancos, depois de arrecadar esses milhões, “arrumam-se” os pensionistas que ficam à sua mercê.

Infelizmente os sindicatos perderam todo o poder de luta do passado, devido em grande parte, à sua divisão, estrategicamente encetada depois de Abril.

Agora nem sequer posso fazer greve, mas se pudesse, de que adiantaria?

Estou a ser roubado. Como se tivesse culpa da situação.

Sempre paguei os compromissos assumidos. Sempre vivi em função daquilo que ganhava. Nunca pedi crédito para ir de férias, mas se pedisse era sinal que o podia pagar.

Daqui para a frente, não sei o que me vão deixar receber, por isso este desabafo. Estou a ser roubado.

Hoje são os velhos bancários, amanhã serão todos os que recebam pensões, não interessa o quanto.

Os funcionários públicos, começam agora a fazer parte dessa classe de élite, aqueles que é preciso roubar também.

Afinal não são eles a causa deste buraco em que nos encontramos? Este é um dos argumentos dos políticos para fazerem o saque aos trabalhadores e reformados.

Não estará é na altura de importarmos políticos estrangeiros de renome. Recebem menos do que os nossos e mesmo que falhem, acontece-lhes o mesmo que aos actuais, nada.

A culpa nunca será deles, sempre dos outros. Afinal é para os “outros” que o meu dinheiro vai?

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10 responses

  1. Oi, José
    Mesmo estando nos começos da minha carreira profissional, compreendo perfeitamente o sentimento de indignação que a situação lhe dispoe. É miserável sermos os cidadãos comuns, normais, respeituosos com os impostos e trabalhadores quem afinal paguemos os delitos de dirigentes, sejam eles de onde forem.
    Eu também me pergunto se fazer greve adianta alguma coisa, mas que outra coisa poderemos fazer?
    Força, amigo!
    Um abraço.
    Lele

    28/11/2011 às 15:54

  2. Que não me paguem por ter feito greve. Tudo bem.
    Que me aumentem impostos. Tudo bem.
    Que me roubem remunerações, conforme eles querem e me tributem duas vezes esse mesmo dinheiro que eu nunca vi. Parece que estamos em África.
    Começo a ter medo das democracias.
    Trabalhei 35 anos, fui explorado.
    Estou reformado há 11 anos e estou a ser roubado. Nem no tempo do facismo isto acontecia.
    Lele tenho pena dos jovens como tu, aqui em Portugal não há futuro para eles.
    Abraço amigo,
    JF

    28/11/2011 às 18:26

  3. Partilhei.
    A indignação é um direito, tal como todos os outros, mas teremos que ir mais longe.
    Beijo

    28/11/2011 às 21:18

    • Pois, mas parece que estamos todos conformados…
      Eu não estou.

      29/11/2011 às 18:59

  4. Então se não fossemos roubados como podiam os políticcos que por cima tutelam a segurança social, podiam comprar Audi 7 ? Não me sabe explicar?

    28/11/2011 às 21:32

    • Esses desgraçados, foram obrigados a ir para lá, coitados.
      E quando sairem desses cargos, ou são reformados ou castigam-nos dando-lhes a gestão de empresas públicas para as afundarem mais ainda.
      Está difícil a vida de político, nem sei como ainda há gente que vai para a política. Afinal estamos num país que está falido…

      29/11/2011 às 19:03

  5. José, boa noite!
    Estamos a ser roubados, porque Portugal é um país de ladrões onde a impunidade politica prevalece.
    O meu marido, sendo reformado da função pública, está a sofrer os mesmos cortes que o José, como sabe, temos dois filhos a nosso cargo e a situação está a ficar assustadora.

    Partilhei no facebook por achar pertinente e urgente que nos façamos ouvir.

    Beijinho,
    Ana Martins

    29/11/2011 às 01:50

    • Tem toda a razão Ana. Qual o papel de quem tem filhos a estudar, ou a cargo, pois a maioria nem emprego tem e se vê confrontado com estes roubos?
      Uma família que tem os rendimentos mais que controlados, e se vê impotente para fazer face a compromissos já assumidos, para os meses em que recebiam estes subsídios. E mais, para o ano, vão roubar-nos os dois subsídios e ainda somos tributados duas vezes como se os tivessemos recebido?
      Eu também não me conformo com a passividade dos atingidos. Parece que não se passa nada.
      Ou ainda não se aperceberam do que se está a passar.
      Beijinho

      29/11/2011 às 19:14

  6. Estoy completamente de acuerdo con tus razonamientos, estas en la verdad.
    Los platos rotos de políticas erróneas y despilfarradoras son ahora pagadas por los de siempre, la clase trabajadora.
    Lo peor de todo esto es que hay como un bictivismo, como una sentimiento de que no se puede hacer nada contra el sistema y no es asi. Quien en estos años han ganado muchísimo dinero son los ahora ricos, ellos son los que tienen que pagar la crisis no las clases trabajadoras y menos aun los menos favorecidos.
    Siempre nos han robado y ahora mas y a cara descubierta, queriéndonos vender el hecho de que es por nuestro bien y que no hay otra forma, lo de siempre.
    Un abrazo compañero.

    29/11/2011 às 21:05

    • Infelizmente isto é apenas um começo.
      Para o ano será muito pior.
      O “Zé” é que vai pagar a crise provocada por todos os políticos incompetentes.
      Saludos JMIR
      JF

      01/12/2011 às 10:17

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